Conflito no Oriente Médio dispara Preços de Combustível e Provoca Cancelamentos em Massa na Aviação Global
O fechamento estratégico do Estreito de Ormuz e ataques a refinarias na região causaram uma disparada no preço do petróleo
Por: Redação Revista Embarque - 20 de março de 2026
A escalada das tensões militares entre Estados Unidos, Israel e Irã gerou um efeito dominó severo no setor aéreo global. O fechamento estratégico do Estreito de Ormuz e ataques a refinarias na região causaram uma disparada no preço do petróleo, elevando drasticamente os custos do QAV (Querosene de Aviação). Como consequência, companhias aéreas de diversos continentes anunciaram reajustes tarifários imediatos e o cancelamento de milhares de voos.
Alta nas Tarifas e Sobretaxas de Combustível
Para mitigar o impacto financeiro, diversas operadoras implementaram o chamado Fuel Surcharge (sobretaxa de combustível), um valor adicional aplicado à tarifa base para cobrir a oscilação do insumo.
Durante uma coletiva de imprensa na última quarta-feira, em declarações acompanhadas pela Euro News, Ronald Lam, CEO da Cathay Pacific, afirmou que o custo do combustível neste mês é o dobro da média dos dois meses anteriores. A companhia atualizou as sobretaxas de combustível para todas as suas rotas a partir de 18 de março. Em paralelo, a Air New Zealand, em resposta por e-mail à agência Reuters (conforme reportado pela Euro News), detalhou aumentos escalonados nas tarifas de classe econômica: NZ$ 10 em rotas domésticas, NZ$ 20 em voos de curta distância e NZ$ 90 em voos de longa distância.
Representantes da Thai Airways informaram em entrevista à Euro News a previsão de reajustes entre 10% e 15% nas passagens, enquanto a australiana Qantas também confirmou aumentos variáveis dependendo da rota operada. Empresas como Lufthansa e Ryanair conseguiram manter maior estabilidade momentânea devido ao uso de Hedge de Combustível — uma estratégia financeira de proteção que fixa o preço do combustível antecipadamente, garantindo parte do fornecimento a valores pré-crise.
Malha Aérea em Xeque: Milhares de Voos Cancelados
A crise não é apenas financeira, mas logística. A necessidade de evitar o espaço aéreo do Irã, Iraque, Síria e Israel forçou o redirecionamento de rotas, aumentando o tempo de voo e o consumo de combustível.
A companhia escandinava SAS informou que cancelará pelo menos mil voos em abril devido ao cenário econômico. Em entrevista dada ao jornal sueco de negócios Dagens Industri e repercutida pela Euro News, o CEO da empresa, Anko van der Werff, destacou que novos cancelamentos são esperados após o período da Páscoa, quando o tráfego de passageiros normalmente diminui. Em resposta, a concorrente Norwegian anunciou à NKR que está aumentando sua capacidade regional para absorver os passageiros afetados.
A Air New Zealand também anunciou uma redução de 5% em seus serviços, cancelando aproximadamente 1.100 voos entre março e maio, impactando cerca de 44 mil passageiros. No cenário europeu, a Wizz Air suspendeu voos para Israel até 29 de março e interrompeu serviços para Dubai, Abu Dhabi e Amã até meados de setembro. O Grupo Lufthansa (incluindo Austrian, Swiss e Brussels Airlines), a ITA Airways e a KLM também estenderam a suspensão de voos para Tel Aviv e Dubai até o final de março ou início de abril.
Impacto no Passageiro: Rotas Alternativas e Preços Recordes
A fuga do espaço aéreo conflituoso inflacionou rotas alternativas devido à alta demanda por trajetos que contornam o Oriente Médio. A Cathay Pacific, por exemplo, registrou tarifas de classe executiva de ida e volta entre Sydney e Londres por aproximadamente A$ 39.577 (€ 24.142). Especialistas alertam que, mesmo com uma possível desescalada da guerra, os preços das passagens devem permanecer elevados por meses devido ao desequilíbrio operacional e à necessidade de recuperação financeira das empresas.
Edição; Redação Revista Embarque
Com informações da Agencia Euro News
Foto: Richard Liu
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