ABRAPAVAA debate direitos das vítimas de acidentes e fortalecimento da segurança na aviação

Evento reuniu 250 pessoas e presidentes das empresas aéreas e da Embraer.

Por: Redação da Revista Embarque - 23 de março de 2026

Foto: Comunicação/ABRAPAVAA

Realizado na última semana, em São Paulo, o 3º Congresso da ABRAPAVAA (Associação Brasileira de Parentes e Amigos de Vítimas de Acidentes Aéreos) reuniu mais de 250 participantes entre autoridades públicas, executivos do setor aéreo, especialistas, juristas, profissionais da saúde, imprensa e familiares de vítimas, e consolidou uma agenda estratégica que deverá nortear as ações da entidade nos próximos dois anos.

O principal direcionamento do encontro foi a definição de prioridades voltadas à ampliação dos direitos das vítimas de acidentes traumáticos e ao fortalecimento da segurança na aviação brasileira, com destaque para a aviação no setor do agronegócio, com base nas discussões conduzidas ao longo dos dois dias de evento.

Entre os temas centrais está a atualização da Norma IAC 200-1001, da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), que estabelece os procedimentos de assistência às famílias e vítimas de acidentes aéreos. Criada em 2005, a norma completa 21 anos em 2026 e foi considerada, à época, um avanço fundamental ao tornar obrigatória a assistência imediata às famílias por parte das empresas aéreas.

No entanto, o amadurecimento do setor e a experiência acumulada ao longo de mais de duas décadas indicam a necessidade de revisão e modernização das diretrizes, com a incorporação de novos protocolos de acolhimento, comunicação, suporte psicológico e integração entre companhias aéreas, seguradoras, autoridades e órgãos de investigação.

Outro ponto de atenção destacado no congresso foi o cenário da aviação agrícola, que apresenta um dos mais elevados índices de ocorrências aeronáuticas no país. Dados do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) mostram que, apenas em 2026, já foram registrados 45 acidentes nesse tipo de operação, com 12 fatalidades, números que se aproximam do total de 56 acidentes registrados em todo o ano de 2024, o maior da série recente.

A análise histórica reforça a preocupação: ao longo da última década, o Brasil acumulou mais de 440 acidentes na aviação agrícola, evidenciando a necessidade de maior rigor na fiscalização, aprimoramento da formação de pilotos, manutenção adequada das aeronaves e fortalecimento dos protocolos de segurança.

A segurança aérea, aliás, foi tratada como uma pauta permanente e inegociável, especialmente no âmbito da aviação geral, que concentra grande parte das ocorrências no país. Segundo dados do CENIPA, o Brasil registra, em média, um acidente aéreo a cada dois dias. Somente em 2026, até o momento, já foram contabilizados 43 acidentes, sendo 38 apenas nos meses de janeiro e fevereiro, o que evidencia a recorrência de eventos e reforça a necessidade de ações contínuas de prevenção e conscientização.

Para Sandra Assali, presidente da ABRAPAVAA, o congresso marca um avanço importante na consolidação de uma agenda estruturada. “O que construímos aqui vai muito além de um encontro. Saímos com um direcionamento claro de atuação para os próximos anos, com foco na atualização da norma de assistência, na atenção especial à aviação agrícola e na necessidade de manter a segurança como pauta permanente. Nosso compromisso é garantir que nenhuma família passe por uma tragédia sem informação, sem apoio e sem seus direitos assegurados. Segurança e dignidade precisam ser pilares estruturais da aviação brasileira”, afirma.


A abertura do congresso contou com a participação dos CEOs das principais empresas da aviação brasileira — Jerome Cadier, da LATAM Brasil, Celso Ferrer, da GOL, John Rodgerson, da Azul, e Francisco Gomes Neto, da Embraer — que reforçaram, em suas falas, o compromisso conjunto do setor com a segurança operacional.

“Saber escutar é o maior treinamento que nosso pessoal pode ter”, afirmou Cadier. Rodgerson destacou que, apesar da concorrência entre as empresas, há um ponto de convergência absoluto: “Nesse mercado somos grandes concorrentes, mas com exceção de um ponto: a segurança, onde todos nos unimos”. Já Celso Ferrer comentou o papel das companhias na preservação de vidas: “Estamos aqui para preservar vidas. Se a gente não se esforçar, a gente entra no automático”. Francisco Gomes Neto, por sua vez, enfatizou o compromisso da indústria com padrões elevados: “A gente valoriza segurança e qualidade. Segurança vem sempre em primeiro lugar”.

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Redação Revista Embarque

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