Brasil pode ganhar relevância estratégica na corrida global por satélites de baixa órbita

Com localização privilegiada para lançamentos espaciais, país pode transformar Alcântara em um ativo estratégico.

Por: MundoGeo - 28 de julho de 2026

Imagem: NOIRLab/NSF

A corrida global pelos satélites de órbita terrestre baixa (LEO, na sigla em inglês) pode abrir uma oportunidade estratégica para o Brasil ampliar sua participação na economia espacial. De acordo com o estudo Low Earth, High Stakes: The Global LEO Satellite Race, publicado na última semana por economistas da Allianz Research, divisão de pesquisa macroeconômica da Allianz Trade, o país possui uma das localizações mais favoráveis do mundo para lançamentos espaciais, vantagem que pode ganhar relevância diante da crescente demanda por infraestrutura voltada à inteligência artificial, à conectividade de baixa latência e à automação.

A análise mostra que o mercado global de serviços baseados em satélites LEO deve crescer entre sete e oito vezes ao longo desta década. Avaliado em aproximadamente US$ 16 bilhões em 2025, o segmento pode alcançar US$ 120 bilhões até 2030. Já a economia espacial como um todo deverá triplicar de tamanho, passando de cerca de US$ 600 bilhões para mais de US$ 1,8 trilhão até 2035.

Como o Brasil está posicionado no mercado?

Nesse cenário, os autores acreditam que o Brasil se destaca por uma vantagem geográfica considerada estrutural: a proximidade com a Linha do Equador reduz significativamente o consumo de combustível necessário para colocar satélites em órbita, tornando as operações de lançamento mais eficientes. Além disso, o estudo identifica a Base de Alcântara, no Maranhão, como uma das instalações mais bem posicionadas do mundo para esse tipo de operação.

Apesar desse potencial, o levantamento aponta que a infraestrutura brasileira ainda é subutilizada. Mesmo após o acordo de salvaguardas tecnológicas firmado com os Estados Unidos em 2019, que permitiu a utilização comercial da base por operadores norte-americanos, o número de lançamentos permanece reduzido. A expectativa é que o aumento da competição internacional impulsione a demanda por novos centros de lançamento, ampliando as oportunidades para o país.

Segundo os economistas, o avanço das constelações LEO está diretamente relacionado à expansão da inteligência artificial e de tecnologias que exigem comunicação em tempo real, como veículos autônomos, robótica industrial e drones. Atualmente, cerca de 40% da superfície terrestre ainda não conta com cobertura confiável de redes 5G, o que amplia a importância dos satélites para garantir conectividade em regiões remotas.

Como está o cenário global?

O estudo também destaca que a corrida tecnológica possui forte componente geopolítico. Os Estados Unidos lideram o setor graças à integração entre desenvolvimento, fabricação e lançamento de satélites, além de concentrarem cerca de 60% dos investimentos privados realizados na indústria espacial em 2025. No mesmo período, o investimento global privado em tecnologia espacial atingiu o recorde de US$ 12,4 bilhões, alta de 48% em relação ao ano anterior.

A China acelera sua expansão por meio de investimentos estatais e pretende colocar em operação quase 30 mil satélites de baixa órbita até 2030, o equivalente a cerca de 40% da capacidade global prevista. Já a Europa tem concentrado sua estratégia em segmentos específicos da cadeia espacial, especialmente no desenvolvimento de capacidade de lançamentos, buscando ocupar nichos tecnológicos em vez de competir diretamente pelo volume de satélites.

Para os países em desenvolvimento, o relatório alerta para o risco de crescente dependência tecnológica das grandes potências, exceto para os casos específicos da China, da Índia e de algumas economias do Golfo. Nesse contexto, o Brasil também aparece como uma exceção devido às suas condições geográficas, que podem transformar Alcântara em um ativo estratégico para atender à expansão global das constelações de satélites e fortalecer sua inserção na nova economia espacial.

Para acessar o estudo completo em inglês, clique aqui.

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Redação Revista Embarque

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