Emirados Árabes Unidos retomam operações aéreas de forma gradual após fechamento do espaço aéreo

Mais de 11 mil voos foram cancelados desde o início da crise.

Por: Redação da Revista Embarque com informações da Al Jazeera - 3 de março de 2026

Aeronave da Emirates estacionada no Terminal Emirates do Aeroporto Internacional de Dubai, em Dubai, Emirados Árabes Unidos, em 10 de fevereiro de 2013 (Foto: Jumana El Heloueh/Reuters)

Os Emirados Árabes Unidos iniciaram a retomada gradual de voos em meio ao caos no transporte aéreo do Oriente Médio, desencadeado pela guerra conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, segundo informações publicadas pela Al Jazeera.

De acordo com a autoridade aeroportuária de Dubai, um “pequeno número” de operações foi autorizado na segunda-feira a partir do Aeroporto Internacional de Dubai, considerado o mais movimentado do mundo para passageiros internacionais, além do Dubai World Central.

A administração orientou que passageiros não façam planos de viagem, a menos que tenham sido contatados diretamente pela companhia aérea com horário de partida confirmado.

A Emirates, com sede em Dubai, anunciou a retomada de um número “limitado” de voos na noite de segunda-feira e informou que clientes com reservas anteriores terão prioridade.

Já a Etihad Airways, baseada em Abu Dhabi, declarou que os voos comerciais permanecerão suspensos até quarta-feira, mas que alguns voos de reposicionamento, carga e repatriação poderão ocorrer, sujeitos a aprovações operacionais e de segurança.

Pelo menos 16 voos da Etihad partiram de Abu Dhabi na segunda-feira com destinos como Londres, Amsterdã, Moscou e Riad, segundo o site de rastreamento Flightradar24.

Ainda de acordo com o Flightradar24, ao menos dois voos da Emirates que saíram de Dubai pousaram em Mumbai e Chennai, na Índia, nas primeiras horas de terça-feira.

Mais tarde, duas aeronaves da Etihad com destino a Abu Dhabi foram desviadas para Mascate, em Omã, e um voo da Emirates com destino a Dubai retornou em direção a Mumbai, conforme o serviço de monitoramento.

Em entrevista à própria Al Jazeera, Tony Stanton, diretor-consultor da Strategic Air, na Austrália, afirmou que uma interrupção motivada pelo conflito com o Irã tende a ser mais concentrada geograficamente, mas ainda assim pode ser severa, pois afeta alguns dos principais corredores leste-oeste do mundo e gera efeitos em cadeia rápidos.

Países como Iraque, Jordânia, Catar e Bahrein fecharam seus espaços aéreos em meio aos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e às ações retaliatórias de Teerã contra aliados norte-americanos na região, paralisando o tráfego aéreo no Oriente Médio.

Mais de 11 mil voos de e para a região foram cancelados desde o início do conflito no sábado, segundo a empresa de dados de aviação Cirium, também citada pela Al Jazeera, levando governos a considerar planos de repatriação de seus cidadãos.

Na segunda-feira, o ministro federal das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, afirmou que Berlim enviará aeronaves fretadas para a Arábia Saudita e Omã para evacuar pessoas “particularmente vulneráveis” que não conseguem retornar ao país.

Segundo Stanton, o setor aéreo pode enfrentar impactos duradouros caso o conflito se estenda por mais de algumas semanas, especialmente se rotas estratégicas se tornarem inviáveis e seguradoras e reguladores elevarem os custos operacionais.

Nesse cenário, acrescentou o especialista, mapas de rotas podem ser redefinidos, com serviços suspensos por tempo indeterminado, hubs perdendo conexões e tráfego migrando para rotas ou centros considerados mais seguros e confiáveis.

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Redação Revista Embarque

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