Era do taxi voador torna-se uma realidade nos países europeus

Leia artigo do Dr. Carlos Kaduoka, Head de Estratégias e Transformação de Negócios da SITA Americas.

Por: Redação da Revista Embarque - 12 de maio de 2024

crédito: Sita

Se você vive, trabalha e se desloca dentro da capital do Reino Unido, então espere passar 156 horas preso no trânsito de Londres ao longo de um ano. Segundo o Inrix Traffic Scorecard de 2022, isso é equivalente a cerca de £1.377 em tempo perdido. Do mesmo modo, os habitantes de Chicago desperdiçam 155 horas; os de Paris, 138 horas; e os de Boston, 134 horas. Já os condutores de São Paulo perdem 105 horas, por ano, em engarrafamentos, de acordo com o Ranking de Trânsito do TomTom, empesa neerlandesa de sistemas de navegação para automóveis.

Tornar as viagens urbanas mais rápidas, menos congestionadas e mais eficientes é apenas um dos fatores que impulsionam o setor de Mobilidade Aérea Urbana (UAM, acrônimo inglês para Urban Air Mobility), que prevê um futuro no qual os passageiros façam uso de várias opções de transporte ágeis e, idealmente, sustentáveis, desde pequenos táxis aéreos até veículos elétricos de decolagem e aterrissagem vertical (eVTOL).

Esse é um setor que está atraindo financiamentos significativos: a McKinsey & Company, empresa de consultoria empresarial americana, registrou que US$ 2,5 bilhões foram arrecadados até junho de 2023, um aumento de 15% em relação aos primeiros seis meses de 2022. Os especialistas contabilizaram US$ 4,8 bilhões em financiamento, computados nos últimos 12 meses, e US$ 19,8 bilhões na última década.

Uma mudança complexa

Essas possibilidades, juntamente com a infraestrutura necessária para apoiar a visão de um sistema de transporte altamente conectado, estão entre os muitos motivos pelos quais esse setor emergente está atraindo a atenção da SITA, uma provedora global de TI para o transporte aéreo. A União Europeia já está implementando regulamentações e requerimentos de certificação para acomodar o uso de veículos de transporte de passageiros da UAM nos próximos cinco anos, abordando questões importantes como impacto ambiental, sustentabilidade, segurança cibernética e preocupações com ruído.

No final de 2023, a Universidade de Cranfield, do Reino Unido, realizou um webinar sobre a UAM e o transporte intermodal. Na oportunidade, o Dr. Saba Al-Rubaye, especialista em sistemas conectados, explicou sobre o investimento que poderia ser liberado para a criação de um sistema de transporte contínuo, sustentável, seguro e interconectado para o futuro. Fatores como a segurança, a experiência do passageiro e a eficiência foram destacados pelo executivo, que enfatizou a importância de instituir sistemas robustos para garantir a proteção cibernética e o desenvolvimento de uma estrutura de apoio, que permitiria uma variedade de meios de transportes para se comunicarem e operarem em conjunto.

Essas são complexidades técnicas que a SITA administra, com sucesso, no setor de transporte aéreo há 75 anos. Nosso amplo conhecimento do funcionamento interno do setor altamente regulamentado pode ser adaptado para atender às necessidades exclusivas da UAM, que enfrentará muitos dos mesmos requerimentos operacionais, bem como de bagagem e passageiros.

Na SITA, vemos uma oportunidade de colaborar e continuar evoluindo este novo segmento de transporte aéreo através do uso da tecnologia.Nosso foco no setor também está sendo estimulado pelo forte interesse dos nossos próprios clientes: companhias aéreas e aeroportos. De acordo com a pesquisa 2023 Air Transport IT Insights, da SITA, as companhias aéreas demonstram um interesse cada vez maior na UAM, com 39% confirmando que implementaram ou planejam implementar uma estratégia para dar suporte a serviços e infraestrutura desse meio de transporte até 2026. Além disso, os serviços e a infraestrutura para a UAM estão crescendo nos aeroportos, com 37% garantindo projetos em desenvolvimento.

Com esse objetivo, parcerias sólidas com especialistas e empresas emergentes de UAM garantirão que a SITA seja capaz de desenvolver soluções de valor para nossos parceiros e outras operadoras. A empresa já fez colaborações com companhias de vertiport, como a UrbanV e a Skyports; com a Heron AirBridge, especializada em gerenciamento de tráfego de aeronaves; e com a Volocopter, fabricante de UAMs, para fornecer processamento de passageiros e outros sistemas operacionais.

Apoio ao setor emergente de mobilidade aérea urbana

Nossas soluções começam com o passageiro. Com o Volocopter, fornecemos elementos vitais que permitem uma experiência móvel em que os viajantes podem reservar um voo pelo celular e, em seguida, usar os pontos de contato biométricos no vertiport para serem identificados – os passageiros simplesmente se aproximam da câmera para serem reconhecidos. Isso garantirá uma experiência mais rápida, semelhante à de um Uber atual. Sendo assim, aproveitamos nosso portfólio de processamento biométrico de passageiros, de modo similar ao que está em implantação no aeroporto de Frankfurt.

Como Al-Rubaye destacou no webinar da Universidade de Cranfield, um setor de UAM forte e viável exigirá vários hubs para decolagem e aterrissagem vertical dentro das cidades, locais nos quais os passageiros possam embarcar e desembarcar e onde as aeronaves possam descarregar e carregar com segurança. Sendo assim, nossa solução de gerenciamento de aeroportos ajudará a garantir que as informações necessárias para planejar uma operação otimizada sejam perfeitamente compartilhadas entre todos os stakeholders. Com isso, essa tecnologia será cada vez mais importante no espaço da UAM, onde táxis aéreos semelhantes operarão em áreas urbanas altamente habitadas.

Além disso, estamos desenvolvendo o novo Sistema de Gerenciamento de Vertiport da SITA e, em parceria com a Heron Airbridge, criando o primeiro produto viável que permitirá o intercâmbio dinâmico de dados, em tempo real, entre o sistema de vertiport, os operadores de eVTOL e o controle de tráfego aéreo, desde a fase de programação até o momento do voo.

Quais são os desenvolvimentos que podemos esperar em 2024?

A aceitação pública, a política e a regulamentação serão cruciais para o desdobramento da história da UAM. O progresso está sendo feito e, com certeza, há um forte esforço por trás do avanço das operações comerciais. Entretanto, o primeiro voo da UAM dependerá da certificação da aeronave eVTOL inicial.

Nosso parceiro Volocopter continua avançando no processo de certificação de seu táxi aéreo VoloCity. Como resultado, os voos de entrada em serviço já foram planejados para 2024, em Paris e em Roma. E a SITA está preparada para fornecer o suporte de TI essencial para essas operações.

Conforme esse setor promissor continua a se desenvolver, a confiança e a aceitação desse novo meio de viagem ganham terreno e o mundo se prepara para os primeiros voos comerciais da UAM. Dessa forma, a SITA continuará a desempenhar seu papel na evolução das viagens intermodais.

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Redação Revista Embarque

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