Transformação digital pelo vírus: Mantenha a cabeça no Lugar

Confira artigo do consultor de transformação digital e LinkedIn Top Voice , professor Paulo Silvestre.

Por: Paulo Silvestre, é LinkedIn Top Voice, speaker, digital transformation, media and culture advisor e professor universitário - 8 de abril de 2020

Por conta do distanciamento social que todos nós devemos fazer por causa do novo coronavírus, um novo problema surge: manter a cabeça no lugar!  (foto: Christo Anestev por Pixabay)

O isolamento mais intenso começou há poucos dias, mas parece que já era há muito mais tempo. E essa percepção está ligada à quebra da nossa rotina de maneira tão dramática. Além disso, existe uma incerteza tremenda sobre o que acontecerá com nosso trabalho e os inevitáveis impactos na economia. Há ainda o fator de que nosso trabalho também está se transformando, e, para muita gente, de forma intensa! Sem falar no medo individual, mais ou menos declarado, da doença em si.

Afinal, o que pode acontecer com cada um de nós?

A primeira coisa que temos que ter em mente é que, por mais que isso doa, por mais que nos recusemos a aceitar, por mais que isso esteja nos provocando mudanças profundas e até prejuízos, o planeta está se transformando de maneira aceleradíssima nas últimas semanas.

O mundo no qual começamos o ano está sendo substituído por algo novo, que todos nós estamos construindo, de maneira rápida e um tanto dolorosa. Decisões e mudanças que normalmente tomaríamos em meses — talvez anos — estão acontecendo em semanas, dias.

Claro que isso insere uma dose cavalar de risco, incerteza e até medo no processo. Afinal, estamos construindo o avião em pleno voo. E é um voo com fortíssima turbulência.

Em um cenário em que temos que buscar fazer à distância tudo que for possível, o meio digital obviamente se torna crítico. Mas apenas dizer isso seria simplista demais e não resolveria muita coisa.

Transformar algo presencial em um equivalente online implica muito mais que a tecnologia. Temos que evoluir nossos modelos de negócios e estarmos dispostos a flexibilizar a maneira como nós trabalhamos. Precisamos ser mais tolerantes e compreensivos com o outro, pois todos nós estamos nessa transformação: muitas coisas não acontecerão como acharíamos o ideal.

Por exemplo, quando falamos em como fazer um home office produtivo, uma das dicas básicas é termos um espaço em casa para o trabalho, onde possamos evitar distrações. Só que, agora, a família inteira está em casa: até as crianças estão “em home office”. Não há como conseguir aquela tranquilidade para trabalhar.

Muita gente pode achar isso inadequado, inaceitável! Em condições normais, daquele mundo que deixou de existir, talvez fosse. Mas não dá mais para ser assim! Temos que demonstrar empatia com o outro, que se esforça para fazer o melhor, mas nem sempre conseguirá.

Apesar de tudo, os novos formatos podem ser surpreendentemente bons, inovadores e criativos. Mas, para isso acontecer, todos os envolvidos — inclusive clientes — precisam se esforçar e aceitar que fazem parte desse processo. É um tremendo desafio, qualquer que seja a sua área, até mesmo conter a ansiedade que toda essa incerteza nos provoca.

No meio disso tudo, para preservar as faculdades mentais, manter-se ocupado e produtivo é essencial.

Caso você seja o dono de um negócio ou gestor, entenda que possivelmente terá que mudar — e muito — suas entregas. Mas não encare isso com pesar, como o fim do mundo. Talvez seja até uma oportunidade para criar um novo produto ou modelo de negócios.

Se você continua trabalhando na empresa por ser um serviço essencial, concentre-se nas suas tarefas e tome todos os cuidados necessários. Por outro lado, se estiver “fazendo home office”, procure melhorar a sua produtividade com foco e tecnologia, mas adote também a resiliência e a empatia, como explicado acima. E, se estiver simplesmente em casa sem poder trabalhar, ocupe sua mente com coisas prazerosas e produtivas.

Pense positivo! Não se entregue à tristeza, ao medo, à ansiedade. Faça coisas que lhe deem prazer sozinho e com quem estiver com você. Aproveite para estudar, aprender uma nova habilidade profissional, um novo idioma ou qualquer coisa para o seu crescimento pessoal.

Por fim, mas não menos importante, se a coisa estiver muito difícil, não tenha dúvidas: procure ajuda profissional, de psicólogos. Se você já fazia terapia, continue! Ninguém melhor que o seu psicólogo para lhe dar o apoio necessário para passar por esse momento. E, como estamos isolados, o atendimento pode perfeitamente ser feito à distância.

O Conselho Federal de Psicologia, aliás, reconhece e autoriza essa modalidade de atendimento desde novembro de 2018. Muitos profissionais estão habilitados a realizar isso com sucesso. Peça indicações de profissionais que ofereçam esse serviço a seus familiares, conhecidos, médicos. Há ainda plataformas digitais de serviços psicológicos que estão oferecendo subsídios nesse momento de crise, como a Vittude. E muitos psicólogos estão se oferecendo para orientações e acolhimentos pontuais pela Internet gratuitamente. Há ainda as clínicas-escola das Faculdades de Psicologia. O Janus, da PUC de São Paulo, pioneiro no Brasil no estudo dos impactos da tecnologia no comportamento humano e que sempre pesquisou e ofereceu atendimento à distância, continua funcionando. O endereço do seu site é pucsp.br/janus.

Estamos juntos nisso tudo. Cuidem-se! Continuem produtivos e ocupados. Usem a tecnologia criativamente. Fiquem em casa o máximo que puderem. E mantenham a cabeça no lugar.

Paulo Silvestre é LinkedIn Top Voice, speaker, digital transformation, media and culture advisor e professor universitário.

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