Guerra no Oriente Médio faz tarifas de passagens entre Ásia e Europa dispararem

Passageiros enfrentam baixa disponibilidade e preços muito acima da média.

Por: Redação da Revista Embarque com informações da Reuters - 3 de março de 2026

Boeing 777 da Qatar Airways no Aeroporto JFK, em Nova York. (Foto: Reuters/Bing Guan)

Os preços das passagens aéreas entre Ásia e Europa dispararam após o fechamento de importantes hubs do Oriente Médio, em meio à guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. De acordo com os sites de companhias aéreas já indicam voos esgotados por vários dias em rotas consideradas estratégicas. As informações são da agência Reuters.

Grandes hubs do Golfo, incluindo o Aeroporto Internacional de Dubai, o mais movimentado do mundo para passageiros internacionais e que normalmente opera mais de mil voos diários, seguem fechados pelo quarto dia consecutivo. A paralisação reduziu significativamente a oferta em ligações como Austrália–Europa, nas quais Emirates e Qatar Airways detêm ampla participação de mercado.

A Flight Centre Travel Group, da Austrália, registrou aumento de 75% nas ligações para suas lojas e centrais de assistência emergencial desde o início da crise. Equipes trabalham 24 horas por dia para atender clientes afetados, afirmou o diretor-geral global da empresa, Andrew Stark.

Segundo ele, passageiros australianos já estão remarcando voos para o Reino Unido e a Europa por rotas alternativas via China, Singapura e outros hubs asiáticos, além de conexões pela América do Norte, como Houston.

Companhias que oferecem voos diretos entre Ásia e Europa conseguem contornar o espaço aéreo fechado no Oriente Médio voando ao norte, via Cáucaso e Afeganistão, ou ao sul, via Egito, Arábia Saudita e Omã. No entanto, isso pode aumentar o tempo de voo e o consumo de combustível, elevando custos em um momento de alta nos preços do petróleo, o que pode resultar em tarifas mais caras no longo prazo.

“Neste momento, todo o Oriente Médio está fora de alcance, o que representa um custo elevado para algumas companhias”, afirmou Subhas Menon, chefe da Association of Asia Pacific Airlines, para a redação da Reuters. “Se a Europa só puder ser atendida a um custo alto, a rentabilidade das companhias será prejudicada. No fim das contas, o preço a pagar é a conectividade.”

Alternativas e alta nos preços

A consultoria Alton Aviation Consultancy afirmou que companhias que operam voos diretos ou por hubs alternativos fora da região afetada, como a Cathay Pacific Airways, a Singapore Airlines e a Turkish Airlines, podem registrar ganhos de curto prazo à medida que passageiros migram das empresas baseadas no Golfo.

Levantamento da Reuters em sites de diversas companhias nesta terça-feira mostrou pouca disponibilidade de reservas no curto prazo e preços elevados para voos entre Ásia e Londres. No site da Cathay Pacific, não havia assentos na classe econômica na rota Hong Kong–Londres até 11 de março, com tarifa mínima de HK$ 21.158 em voo só de ida naquela data, caindo para HK$ 5.054 mais adiante no mês.

Em voos de Sydney para Londres, a Qantas Airways não oferece bilhetes em classe econômica nas rotas tradicionais via Perth e Singapura até 17 de março, quando há opção por A$ 3.129 o trecho. Para datas anteriores, há alternativas com escalas não convencionais, como Los Angeles e Joanesburgo.

A Thai Airways registra voos lotados para a Europa, segundo o ministro dos Transportes da Tailândia, Phiphat Ratchakitprakarn, à medida que turistas europeus optam por rotas diretas em vez de conexões pelo Oriente Médio. No site da companhia, passagens de Bangkok para Londres estavam esgotadas até o fim da próxima semana, com tarifas elevadas nas datas seguintes.

A EVA Airways informou que as reservas para voos com destino à Europa aumentaram significativamente, com passageiros asiáticos e europeus buscando rotas alternativas.

Sites de companhias chinesas também mostraram tarifas muito acima do normal nas rotas entre China e Reino Unido, com poucos assentos disponíveis na classe econômica para partidas próximas. Um bilhete de ida e volta em classe econômica entre Pequim e Londres normalmente custa menos de 10 mil yuans, mas a Air China oferecia apenas classe executiva para quarta-feira, com tarifa de 50.490 yuans só de ida.

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Redação Revista Embarque

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