Piloto da Flydubai é esfaqueado em voo para Israel consegue abrir cabine
A ação do capitão indiano Smit Machchhar, permitiu a intervenção de passageiros e tripulantes.
Por: Redação da Revista Embarque com informações da BBC.com - 2 de outubro de 2026

Foto: BBC.com / Embaixada da Índia em Israel
O capitão indiano Smit Machchhar, da Flydubai, foi esfaqueado durante um voo com destino a Israel e, mesmo ferido, conseguiu abrir a porta da cabine de comando, permitindo que passageiros e tripulantes interviessem. Segundo a BBC, o episódio aconteceu na quarta-feira (30), no voo FZ1073, que transportava 174 pessoas.
A aeronave, um Boeing 737 MAX 8, havia decolado de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, com destino ao Aeroporto Ben Gurion, em Israel. Cerca de duas horas e meia depois, o avião realizou uma rápida descida sobre a Arábia Saudita, perdendo mais de 5 mil metros de altitude em menos de dois minutos, segundo dados do Flightradar24.
Na sequência, a aeronave transmitiu o código de emergência 7700 e, posteriormente, o código 7500, utilizado para indicar uma situação de sequestro. O avião chegou a entrar brevemente no espaço aéreo da Jordânia antes de retornar à Arábia Saudita.
O voo foi desviado para o Aeroporto de Tabuk, no noroeste do país, onde pousou em segurança às 6h58, no horário local.
Ataque dentro da cabine
A briga começou entre dois pilotos dentro da cabine. O copiloto teria esfaqueado Machchhar e, posteriormente, tentado assumir o controle da aeronave.
Mesmo ferido, o comandante percebeu que o avião estava em rápida descida e decidiu agir. Em conversa por vídeo com o primeiro-ministro indiano, reproduzida pela BBC, Narendra Modi, Machchhar relatou o momento:
“Eu estava deitado no chão, ferido, mas disse a mim mesmo que deveria dar um último impulso para abrir a porta por dentro.”
A abertura da porta permitiu que passageiros e membros da tripulação entrassem na cabine e ajudassem a dominar o agressor. Outros pilotos que estavam a bordo assumiram o controle da aeronave até o pouso em Tabuk.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, chamou Machchhar de “verdadeiro herói” e afirmou que ele havia contribuído para salvar as 174 pessoas a bordo.
Após o pouso, o comandante foi levado para um hospital na Arábia Saudita e posteriormente transferido para Abu Dhabi. A embaixada da Índia informou que ele estava se recuperando bem.

Foto: Embaixada da Índia em Israel
Quem é Smit Machchhar
Machchhar cresceu em Mumbai, na Índia. Em 2008, ingressou na Mainland Air, escola de aviação em Dunedin, na Nova Zelândia. Três anos depois, começou a trabalhar como piloto comercial na companhia indiana SpiceJet.
Em 2022, mudou-se para Dubai e ingressou na Flydubai. Segundo seu perfil profissional, acumula mais de 9.750 horas de voo, sendo mais de 6.400 como piloto em comando.
Em entrevista à BBC, Philip Kean, CEO da Mainland Air, escola onde Machchhar estudou, lembrou do piloto como alguém capaz de manter a calma em situações de crise.
“Nós o treinamos para pousos forçados – não para esse tipo de situação, que é muito, muito rara”, disse Kean.
O capitão Dharav Gosalia, antigo colega de Machchhar na SpiceJet, também o descreveu à BBC como uma pessoa “muito jovial” e um piloto disciplinado. Conhecido pelo apelido de “Smit Mac”, o comandante passou por anos de treinamento antes de construir sua carreira na aviação comercial.
A aviação como escolha profissional
Em participação no podcast Bona-Fide Banter, no ano passado, Machchhar contou que a aviação não era seu plano inicial de carreira. Aos 19 anos, ele havia começado um curso de gestão e pretendia trabalhar nos negócios da família.
A decisão mudou depois que participou de um seminário sobre aviação e se interessou pela profissão.
Durante a conversa, também falou sobre a importância de equilibrar a carreira com a vida pessoal.
“Dê igual importância à vida pessoal – isso ajudará você a voar por mais tempo.”
O piloto também relatou experiências de emergência durante sua carreira, incluindo um caso em que uma passageira entrou em trabalho de parto prematuro durante um voo. Para Machchhar, a experiência acumulada ao lado de profissionais mais experientes foi fundamental para sua formação.
“Em termos de aviação, tive a sorte de crescer com pessoas que me ajudaram a ser o piloto que sou hoje”, afirmou.
Recuperação
Após o ataque, Machchhar afirmou a Narendra Modi que encara a recuperação como uma jornada e que o processo levará tempo, mas demonstrou confiança em voltar a ficar saudável.
O episódio continua sendo investigado pelas autoridades. As circunstâncias do ataque e a motivação do agressor ainda estão sendo apuradas.
Redação Revista Embarque
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