Novas variantes da COVID-19 dificultam retomada do turismo

Prejuízos somam R$ 395,6 bilhões. Situação se normalizará com o controle da infecção viral, avaliam empresários

18 de agosto de 2021

O turismo brasileiro ainda possui um longo caminho pela frente até a recuperação geral do setor.  O cenário atual é de um cancelamento em massa de viagens que foram planejadas antes da chegada do coronavírus ao país. Apesar da vacinação estar avançando, o surgimento de novas variantes tem dificultado a retomada dos turistas.  (foto:  Edward Jenner no Pexels)

Essa é avaliação de Alexandre Sampaio, presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), que informa que o segmento enfrenta um período turbulento por conta da pandemia de Covid-19.

De acordo com o levantamento realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), as atividades turísticas já somam prejuízo de R$ 395,6 bilhões de março do ano passado até junho deste ano. Além disso, o trade apresenta ociosidade elevada, operando com cerca de 57% da sua capacidade mensal de geração de receitas.

Sampaio, que também é diretor da CNC e coordenador do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur), avalia que a situação só poderá ser revertida com a gradual liberação da circulação dos turistas no Brasil e, também, no exterior.

Ele ainda destaca que segmentos específicos foram impactados de uma forma mais ampla, como é o caso das viagens corporativas, que caíram 39,6% no primeiro semestre ainda sob impacto da pandemia. A informação, divulgada na segunda-feira (16), pela Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp), evidencia a situação delicada do setor.

“A avaliação da Abracorp constatou que totalizamos R$ 1,427 bilhão em comparação aos R$ 2,364 bilhões de janeiro a junho de 2020. Quando avaliamos com o ano retrasado, os números são ainda mais críticos: tivemos uma queda de 74,3%, pois, na época, as vendas somavam R$ 5,570 bilhões”, indica.

Para Sampaio, o Brasil busca a recuperação de forma gradual, levando em consideração que algumas regiões buscam movimentar a recepção de turistas e a realização de eventos. Contudo, para o especialista, ainda é necessário investir na ampla imunização da população para que o retorno do setor seja concreto.

“É possível que a gente comece a desenvolver uma retomada no final de 2022, beirando 2023. Contudo, isso depende do controle da infecção viral. Estamos cientes de que é um processo moroso e que exige muitos cuidados. Por isso, estamos trabalhando arduamente para que esse processo seja feito de forma segura e sem gargalos”, complementa o presidente da FBHA.

Ainda de acordo com a pesquisa, em junho deste ano, os serviços turísticos operaram 22,8% abaixo do nível de fevereiro de 2020. Além disso, São Paulo e Rio de Janeiro são os estados que apresentam mais da metade do prejuízo acumulado, chegando a R$ 161,3 bilhões e R$ 47,9 bilhões, respectivamente.

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