ONU lembra lutas antirracistas no Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha

No contexto atual, a recessão gerada pela pandemia impacta mais mulheres e negros no mercado de trabalho

Por: Redação Revista Embarque - 25 de julho de 2020

Em 1992, grupos femininos negros de 32 países da América Latina e do Caribe se reuniram em Santo Domingo, na República Dominicana, para denunciar opressões e debater soluções na luta contra o racismo e o sexismo.

Esse encontro ficou marcado na história e foi reconhecido pela ONU como o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e da Diáspora, celebrado em 25 de julho.

Passados 28 anos dessa reunião, e também no contexto do 5º aniversário da Década Internacional dos Afrodescendentes, é preciso relembrar a história de luta e conquistas dessas mulheres, mas também jogar luz nos desafios que elas enfrentam até hoje como resultado de séculos de discriminação, opressão e desigualdade social.

“Precisamos afirmar ao mundo que é urgente e necessária uma nova ordem”, diz Valdecir Nascimento, do Instituto Odara da Mulher Negra, em Salvador (BA). “Ninguém acredita que as mulheres negras podem pensar em uma estratégia de transformação do mundo, pois as pessoas continuam com uma narrativa e um imaginário da negra como coitada, como alguém
sem instrução.”

“Essa é uma lógica de negação que não cabe mais, e o nosso desafio é convencer as cabeças e os corpos de quem tem privilégios que não é possível sustentar isso para a eternidade.”

Dados divulgados este ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram como ainda é grande o abismo que separa mulheres negras de outras camadas da sociedade no acesso a serviços básicos e oportunidades no Brasil.

Os números de 2019 revelam, por exemplo, que as mulheres negras têm uma média salarial 56% menor que a de homens brancos – 3.138 reais para eles e 1.394 reais para elas. Além disso, os lares chefiados exclusivamente por mães solo e negras estão entre os mais vulneráveis: 13,9% não possui abastecimento de água e mais de 40% está sem tratamento de  esgoto.

Pandemia Covid-19

Os impactos econômicos na vida da mulher negra aumentou em tempos de pandemia da covid-19, junto às recentes contrarreformas como da Previdência, diminuição de leis trabalhistas e das terceirizações. A recessão gerada pela pandemia impacta mais mulheres e negros no mercado de trabalho, é o que mostra dados divulgados pelo PIB, ao final de maio de 2019.

As mulheres negras são a maioria no trabalho doméstico e minoria em boa parte dos serviços essenciais. População negra é impactada por ter maior participação na informalidade, primeiros postos a serem afetados na crise. Dados disponíveis de abril já captam uma parte importante desse efeito: no trimestre móvel encerrado em abril, o Brasil sofreu a maior perda de trabalhadores domésticos em nove anos.  Uma queda de 11,8% em relação ao período anterior.

História

Tereza de Benguela é, assim como outras heroínas negras, um dos nomes esquecidos pela historiografia nacional, que, nos últimos anos, devido ao engajamento do movimento de mulheres negras e à pesquisa ou ao resgate de documentos até então não devidamente estudados, na busca de recontar a história nacional e multiplicar as narrativas que revelam a formação sociopolítica brasileira.

O local de nascimento de Tereza de Benguela é desconhecido. Ela pode ter nascido em algum país do continente africano ou no Brasil, mas sua vida faz parte da história pouco contada do Brasil.

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